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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aristóteles, virtude e mediania

Aí abaixo reproduzo trechinho de um livro do Aristóteles, filósofo grego antigo que estamos estudando nas aulas de C20. Lembrem do que comentamos nas aulas.
Ele defendia que a felicidade para o ser humano está em encontrar o meio termo, a "mediania". Evitar os excessos. Uma vida feliz seria aquela em que a gente consegue juntar as três formas de felicidade possível: os prazeres, a liberdade cidadã e o conhecimento da filosofia.
Nossas virtudes são aquilo que temos de melhor. Ele as encontra na metade do caminho, entre um excesso e outro.
Em relação à coragem, não ser medroso nem destemido. Na alimentação, evitar comer demais mas também não comer tão pouco que leve à doença. Com o dinheiro, não ser o extravagante que fica gastando o que não tem, mas também não ser o avarento que é louco por dinheiro ao ponto de viver apenas para acumulá-lo. E assim por diante.
A virtude está em achar o "caminho do meio". E isto não é nenhuma moleza.

Professor Elenilton.



"Virtude diz respeito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro...

Por outro lado, é possível errar de muitos modos (pois o mal pertence à classe do ilimitado e o bem à do limitado, como supuseram os pitagóricos), mas só há um modo de acertar.

Por isso, o primeiro é fácil e o segundo difícil – fácil errar a mira, difícil acertar o alvo. Pelas mesmas razões, o excesso e a falta são característicos do vício, e a mediania da virtude:

Pois os homens são bons de um modo só, e maus de muitos modos.

A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.

E é um meio termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude entrar e escolhe o meio termo.

E assim, no que toca à sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo, é, porém, um extremo."


Aristóteles

Em sua obra Ética a Nicômano

sábado, 28 de maio de 2011

Greve

Maria Luíza e a greve


Dizem que foi no Egito, por volta de 2100 a.C.. A primeira vez que os trabalhadores se organizaram e resolveram parar de trabalhar. Eles queriam receber mais comida pelo seu trabalho. Estavam construindo um templo, e a quantidade de pães que ganhavam era insuficiente para alimentar a eles e suas famílias. Teriam sido as mulheres que os convenceram a parar. Sempre elas.

O lugar onde as pessoas iam procurar trabalho, na França do século dezenove, era chamado de Place de Grève. Então o termo "greve" já na origem lembra pessoas reunidas nas praças.

Pessoas reunidas sempre são uma possibilidade. Possibilidade de quê? Ah, isso é o que precisamos inventar sempre.

No caso da greve que estamos fazendo há muito o que dizer.
Me tocou o minuto de silêncio da última assembléia, em homenagem ao líder negro que morreu e aos dois líderes assassinados esta semana no Pará (no mesmo dia da votação do novo e famigerado Código Florestal).
O silêncio daquele minuto foi mais impactante que os discursos inflamados.
E a frase de Marcelo Pires na parede da Câmara de Vereadores (onde fomos entrando): "Sempre que alguém lê um poema é domingo".

Mas a cena mais bela foi registrada pelo fotógrafo Jackson Zanin, para o Correio do Povo.
Mostra a professora de espanhol Maria Luíza e seus dois filhos, Gabriela e Guilherme. Ela pegou a lotação com eles e foi para a frente da prefeitura pressionar o prefeito.
Ela mais eu mais um monte de gente.
E quem não estava lá, perdeu de vê-los.


Elenilton Neukamp

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Amor (sexo)

Aulinha preparada a partir da caixa de perguntas... ficou meio incipiente, mas como começo gostei, acho que dá pra desenvolver.

1- Texto de apresentação:


Cupido e Venus - Lorenzo Lotto


Sobre a necessidade de um ótimo dicionário

Marco Aurélio Fabretti


Je t’aime, I Love you, amo você...  três línguas diferentes e querem dizer a mesma coisa. Mas afinal, o que é o amor? Dizem que o amor é cego, é fogo, é quente. Dizem que amar é entrega de si mesmo para outrem, e de outrem para si mesmo. Que o amor é se perder num desvario encontrado sob medida, em bocas e toques. Os mais poéticos dizem que amor não se define, que se continuamos neste movimento esdrúxulo delineando suas formas é porque de fato nunca amamos. Porque amar seria sentir, e nem todos os poetas do mundo poderiam alcançar aquilo que sentimos ao dizer que amamos – ou será que poderiam, e por isso seriam poetas? Assumir que certas coisas são indefiníveis é o passo mais curto para que de alguma forma se as defina, e aí Drummond com seu pequeno Amor e Seu Tempo. Mas deixemos de lado a natureza da poesia, ainda não sei se sabemos o que é o tal do amor.

domingo, 3 de abril de 2011

Estudante de filosofia tentando se definir* :p

* aproveitando as memórias do Elenilton, vai um textinho da época de faculdade. 

Cadê? Cadê a verdade, o verossímil, o animado? A mentira é parada, o estático finge a realidade. Finge de verdade. Porque limitamos as coisas não as possuímos, não seremos jamais as coisas. Sou o que admito não estar fora de minha consciência – mas quem deu o estatuto de norma à consciência? Se ser define Deus, me define também. Mas não sou somente, sou algo. A impossibilidade de falar o que sou não implica que eu somente seja, apesar de que qualquer coisa que seja dependa de, invariavelmente, da minha condição de ser. Em que me preenchem definições? Sou no mundo, e por isso sou enquanto relacionado com o mundo. Homem, defina-se; racional; defina-se. Mas que não se esqueça de que sou social, e daí uma Política, e daí uma linguagem, e daí um bem agir referente a mim, mas não fora do contexto do outro. Minha consciência de mim me define como estando em mim, e só tenho essa noção devido ao que está fora, onde não me reconheço. Mas como dependo das coisas para ser essa consciência egoísta! Como me livro do outro para me afirmar ser quando o sentido de ser está tão intrinsecamente ligado ao que está fora de mim!
Qualquer predicação ao meu ser supõe um outro, mesmo que imaginário, que complete minha incompletude de predicado. Qualquer predicação do meu ser me lembra que sou em relação a algo, e por isso dependente. E isso não se rompe no tempo: a relação é contínua. Tudo começa pelo próprio eu: algo que me limita na existência do mundo como ser separado desse mundo, e portanto dependente desse mundo para ter sentido. O livre seria ser somente: poder afirmar “SOU!”, e por mera possibilidade teórica, pois o somente ser não seria um ser que age – no caso afirma nada. Desse ser não teria-se notícia, pois nenhuma ação teria. Seria imóvel, enquanto completo. E nunca poderíamos ser plenos enquanto pensássemos, pois pensaríamos sobre algo e em relação deixaríamos de ser plenos, ser somente. 
            Mas não sou livre. Tenho o outro. E vocês também têm. Bobeira de Deus! Na nossa imperfeição somos perfeitos, na nossa incompletude nos completamos. O tempo eterno, se há, faz parte da minha existência... Será que a superação do indivíduo através da derrubada de alienações demora muito? O bobeira!!! De qualquer forma, temos uns aos outros. É nisso que prefiro acreditar. E vocês? Acreditam em quê? Só não me digam que acreditam demais em vocês.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Memórias de estudante


Eu era da turma 52. O ano era 1984. Andava um pouco solitário, triste. Meus pais recém haviam se separado. Um para cada lado, e eu para lado nenhum. Lembro-me bem que minha calça era de tergal, daquelas azuis feias de uniforme de colégio. Não era muito raro eu andar com ela suja e percebia que algumas colegas faziam comentários maldosos sobre isso. Teve um dia que caí num valo e não pude ir à aula porque ela estava molhada. Tive que ficar embaixo dos cobertores...

Como era bom quando faltava um professor! Fazíamos uma festa! Tinha uma professora que gritou comigo várias vezes, eu odiava a aula dela e por isso não entendia nada da matéria. Uma outra debochou de mim quando eu disse que havia faltado no dia anterior por causa da enchente. Ela devia morar no outro lado da cidade para não saber do que nós sofríamos com as enchentes... Arremangar as calças até os joelhos e pôr os pés na água gelada, no inverno, às sete da manhã para ir pra aula definitivamente não é para qualquer um. Minhas professoras, por muito menos, deixavam de ir para a escola.

Até a quarta série eu era considerado um aluno exemplar, com direito a ler em público nas datas em que o colégio dava um cachorro quente e um copo de “ki-suco”. Não entendia muito o que estava lendo, mas as professoras gostavam. Minhas notas eram altíssimas, porque no colégio eu fugia dos problemas de casa. Nesta época me fizeram odiar o hino. Éramos obrigados a cantar uma coisa que nem entendíamos o que significava. O pior foi quando a diretora me chacoalhou e gritou “canta!”. Obrigavam a gente a marchar da vila até o centro da cidade, como se fôssemos soldadinhos de chumbo. Eu odiava isso.

Na quinta série uma vez levei uma suspensão. Briguei no recreio. Um olho ficou umas três vezes maior que o outro. Assinei o “livro negro”. Depois daquela briga percebi como é estúpido bater em alguém, como é estúpido apanhar também. Que grande bobagem! Minhas notas caíram mais que a confiança do povo nos políticos. Um dia apareceu escrito numa prova: “Você regrediu muito”. Fui direto para o dicionário, não sabia o que era regredir. Já era a segunda vez. Outro dia a professora de Português tinha me dito isso e eu achei graça. Ela ficou brava porque pensou que era deboche, mas eu estava rindo daquela palavra esquisita.

Na sétima série minha turma era a 71. Estudávamos pela manhã. No primeiro e no segundo bimestre não entendi nada do que estava acontecendo. Tirei vários “zero” nas provas. Marquei um encontro com uma menina para o último dia antes das férias de inverno. O nome dela era... bom, creio que não há necessidade de dizer o nome dela, não é? Acontece que no dia choveu. Eu fui até a escola, mas fiquei numa área coberta do lado de fora do portão. Esperei a tarde inteira e ela não apareceu. Meses depois soube que ela também passou a tarde suspirando e me esperando, só que do lado de dentro do portão...

As férias e a preguiça me acostumaram a dormir demais e a ler “de menos”. As aulas recomeçaram e eu não aparecia no colégio. Umas duas semanas depois, foram na minha casa me procurar. Mas não eram daquele colégio e sim do que eu estudava antes (chamado Mário Sperb). A dona Líria, uma orientadora educacional que atendia no SOE, mandou me chamar. Nem quis minhas explicações, foi logo me matriculando numa turma do noturno. Eu tinha treze anos e estava começando a trabalhar, cuidava de um estacionamento de uma farmácia. No ano anterior tinha sido vendedor de picolés.

Os professores e professoras eram diferentes, conversavam com a gente sobre qualquer coisa. Fui muito bem recebido e me aceitaram como eu era. Meus colegas eram mais velhos do que eu, e com eles aprendi a ouvir as pessoas mais velhas que têm muito mais experiência de vida do que a gente... O que fico me perguntando é o que teria acontecido comigo se ninguém tivesse me procurado, me ajudado. Com certeza hoje não seria professor e nem teria o prazer de conhecer as pessoas que agora lêem essas palavras, e que são para mim uma grande família.

Mas que grande falador sou eu. Lembrei de tantas coisas, falei tanto, mas o que eu queria mesmo era dizer pra você: aproveite bem o tempo que você passa aqui. A escola é um lugar onde a nossa vida acontece, onde a gente aprende coisas importantes e conhece pessoas. Meus amigos que abandonaram a escola quando eram adolescentes, hoje se lamentam e se arrependem. Espero que você saiba aproveitar este momento único da vida. O mundo precisa de pessoas que lêem e pensam, porque do jeito que as coisas estão não dá mais.


Elenilton Neukamp

sexta-feira, 25 de março de 2011

O mundo de Sofia

Atendendo os pedidos dos alunos da C33 e C31, o livro "Mundo de Sofia" para ler on line:

Clique aqui para ler!

Mas o livro não é difícil de ser baixado também, é só darem uma procurada.

Abraços!

Atualização: revi agora os links, um livro com o conteúdo completo realmente é difícil de achar! este acima é com o conteúdo revisado, mas tem boa parte do texto. E Éder, tá funcionando normal meu velho, é só clicar e ler - ao menos aqui tá tranquilo. E um toque: nossa biblioteca está com dois exemplares para os alunos.  :p


quarta-feira, 16 de março de 2011

C 20 - Primeiras aulas

As primeiras aulas com as turmas de C20 voltaram a discutir
por que afinal estudamos Filosofia.
Além de tratarmos outras questões (como a tragédia natural e nuclear
no Japão), falamos sobre como serão as aulas em 2011.

Para quem não assistiu à aula ou quer ler mais sobre o que falamos,
aí vai o linck do livro "Convite à Filosofia", da professora Marilena Chauí.
O textinho colocado no quadro é um resumo das páginas 1 a 7.

É só copiar o linck aí embaixo e colar na caixa de endereços lá em cima:


http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/convite.pdf


Boa leitura!


Professor Elenilton

quinta-feira, 10 de março de 2011

Aula inicial do professor Elenilton - roteiro



Na foto: professor Elenilton, professor José Pacheco (um dos fundadores da Escola da Ponte em Portugal) e professor Walter, no Dolores em 2010.





ROTEIRO DA PRIMEIRA AULA:

  1. Apresentação (Professor de Filosofia e Mestre em Educação, escritor, experiência profissional/professor há 15 anos, Poço das Antas, infância, magistério como escolha)

  2. A Filosofia nasce quando os seres humanos começam a tentar entender o mundo, não por meio da religião nem pela aceitação da autoridade, mas pelo uso da razão. Isto começou principalmente entre os gregos antigos, entre os séculos VI e IV a.C. Suas primeiras perguntas foram “De que é feito o mundo?” e “O que sustenta o mundo?”.

Filos= amizade, amor. Sophia= sabedoria.

Há outros usos da palavra filosofia, como “filosofia de vida” ou “filosofia da escola”...mas não dizem respeito ao estudo da Filosofia.



  1. As aulas

Liberdade de pensamento

Caderno: organização/faz parte da avaliação

Textos: exigência na leitura/boa escrita

Apresentação e normas gerais de apresentação de trabalhos

Trabalhos extras: o aluno propõe o trabalho e apresenta

A caixa de perguntas: o diálogo construindo a aula de Filosofia

Filmes

Passeios, laboratório de informática

Fanzines

Papel no chão é crime!

Racismo e homofobia são burrice

Volumômetro

E-mail, orkut


Critérios para avaliação:

  1. Ter condições de participar de um diálogo respeitando a fala do outro.

  2. Compreender minimamente o que estamos estudando, e demonstrar isto.

  3. Conseguir expressar por escrito o que estudamos, entregando os trabalhos.

  4. Cuidado e organização com seu material e respeito pelo grupo.





TRABALHO DE SONDAGEM – FILOSOFIA


  1. Na sua visão, o que é uma boa aula?

  2. O que é um mau professor e o que é um bom professor?

  3. O que mais lhe incomoda na vida? Fale sobre isso.

  4. Que assuntos você acredita que são importantes para estudarmos e discutirmos em aula?

Sugestões e idéias para nossas aulas (tipos de trabalho, organização da turma, etc.).

  1. Se fosse possível resumir a vida em uma frase, que frase seria essa?



Segunda parte (em folha separada).

COMPROMISSO PESSOAL – O que eu me comprometo a fazer em 2011 para que seja um bom ano para mim e para a escola.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Clássico na Restinga

E o clássico entre o campeão discente do ano contra o AGP acabou com a vitória dos alunos, por placar justo, de 2x1. O AGP (Associação Galática dos Professores do Dolores Caldas) entrou em campo motivado e se sobrepôs no início da partida, com uma marcação agressiva no meio campo. A marcação pressão logo levou ao gol dos magistrais professores, para delírio da torcida feminina que bravamente apoiava o time. Atuação extremamente profissional da defesa e na frente rompantes de brilhantismo - a crítica especializada concordou que com mais alguns jogos haveria um entrosamento difícil de ser parado. E, sob forte Sol na Nova Restinga, o juiz apitou o fim do primeiro tempo no Monumental do Areião.


Algumas análises durante o intervalo, acrescidas de boas conversas entre os jogadores galáticos, faziam a torcida crer na vitória certa sobre os juvenis. Os campeões discentes, por sua vez, saíram do campo assustados com tamanha qualidade do time adversário, o que já era de se esperar. Começado o segundo tempo, começou-se o sistema de rotação dos principais jogadores nos dois times. No caso do mega ultra time docente, preservar as peças da equipe para os próximos jogos é de suma importância - temos já ciência de jogos marcados para agosto de 2011 e janeiro de 2012. A atuação até então impecável da defesa, infelizmente, não se repetiu, e os rápidos azuis conseguiram emplacar tabelas chegando ao gol do impávido goleiro palmeirense. Num golpe de sorte, adentraram a área e empataram o jogo, reacendendo a disputa que até então era administrada pelo Real Madrid... ops, pelo AGP. 

E aí meus caros, aconteceu o inexplicável pelas leis da física, aquilo que nem a filosofia em seus tantos mil anos de vida pode sujeitar ao domínio da razão. E, pela vontade dos deuses ou de alguma força maior, a bola sobrou na entrada da área para os azuis, e o sagaz atacante colocou forte e rasteiro no canto do gol. Dois a um para os campeões discentes. O estádio em penumbra, o Sol que se apagou por alguns instantes em sinal de protesto. Mas assim é o futebol: desde os tempos de Adão, cujo uniforme não passava de uma folha de parreira, há uma única lei: quem não faz toma. Lições a serem consideradas pelos galáticos professores já arquitetando os próximos confrontos. E os parabéns à turma C34, que coroou brilhantemente seu título e sua despedida do grupo escolar para jogar em outros campeonatos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ateus

Ateus

Por José Saramago

Enfrentemos os factos. Há anos (muitos já), o famoso teólogo suíço Hans Küng escreveu esta verdade: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros”. Jamais se disse nada tão verdadeiro. Aqui não se nega (seria absurdo pensá-lo) o direito a adoptar cada um a religião que mais lhe apeteça, desde as mais conhecidas às menos frequentadas, a seguir os seus preceitos ou dogmas (quando os haja), nem sequer se questiona o recurso à fé enquanto justificação suprema e, por definição (como por demais sabemos), cerrada ao raciocínio mais elementar. É mesmo possível que a fé remova montanhas, não há informação de que tal tenha acontecido alguma vez, mas isso nada prova, dado que Deus nunca se dispôs a experimentar os seus poderes nesse tipo de operação geológica. O que, sim, sabemos é que as religiões, não só não aproximam os seres humanos, como vivem, elas, em estado de permanente inimizade mútua, apesar de todas as arengas pseudo-ecuménicas que as conveniências de uns e outros considerem proveitosas por ocasionais e passageiras razões de ordem táctica. As coisas são assim desde que o mundo é mundo e não se vê nenhum caminho por onde possam vir a mudar. Salvo a óbvia ideia de que o planeta seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. Claro que, sendo a natureza humana isto que é, não nos faltariam outros motivos para todos os desacordos possíveis e imagináveis, mas ficaríamos livres dessa ideia infantil e ridícula de crer que o nosso deus é o melhor de quantos deuses andam por aí e de que o paraíso que nos espera é um hotel de cinco estrelas. E mais, creio que reinventaríamos a filosofia.


Publicado no blog "O caderno de Saramago", em fevereiro de 2009.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Torneio do Dolores - As fotos

Neste linck vocês podem conferir as fotos tiradas pela professora Priscila Ferreira (de Português) do Torneio da escola, realizado em outubro.

http://www.flickr.com/photos/escoladolores-campeonato/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sofia e a foto misteriosa


Aquelas cartas eram muito estranhas, ela não conseguia entender o por que daquelas perguntas e como respondê-las. Ela pensava nas perguntas e vinham na sua cabeça várias respostas diferentes. Como saber qual a resposta certa?
Lá do seu esconderijo ela via a rua. De repente passou o carteiro, ela correu para ver se tinha outra carta na caixa de correio. Ela abriu a caixa e pegou outra carta amarela, ela pensava que naquela carta poderiam estar as respostas para aquelas perguntas difíceis.
Quando ela abriu, tinha uma carta e uma foto estranha. A foto mostrava uma família, mas só até o pescoço, os rostos não apareciam. E no fundo estava tudo escuro, como se tivessem tirado a foto de noite. Sofia se perguntou: por que tirar uma foto que não aparece o rosto?
Ela começou a ler a nova carta. Nela estava escrito: “Sofia, esta foto é de minha família, éramos uma família feliz até que ocorreu um....esquece este assunto. Então, você já conseguiu responder aquelas perguntas? Acho que não.”
Sofia jogou a carta no chão e pegou a foto. Ela reparou que a foto estava apagada, mas por quê? Ela reparou também que a última pessoa da foto tinha uma mão no ombro. E resolveu procurar a outra parte da foto. Mas onde procurar?
Então ela lembrou dos barulhos no mato. No outro dia foi correndo até a mata com a foto na mão. Ela andou muito até que achou um pedaço de papel rasgado e amassado no chão. Ela pegou, desamassou e viu que era mesmo a outra parte da foto, que tinha um homem e aparecia o seu rosto. Era todo deformado. Ela ficou espantada com o rosto daquele homem.
Então ela ouviu um barulho e um homem a pegou e a levou para o mato.
Sua mãe achou que ela estava demorando demais e ligou para a polícia. Dias depois a polícia encontrou o corpo dela e das outras pessoas da foto sem a cabeça, e os dois pedaços da foto. E o corpo do suspeito pelo assassinato com um tiro na cabeça.
E as perguntas continuaram sem respostas.

Carlos Luciano C. da Luz, C16

sábado, 20 de novembro de 2010

O Mundo de Sofia

Em um bairro muito pobre morava uma garota chamada Sofia. Ela era muito bonita, adorava estudar, adorava histórias, ela lia muitos livros.
Ela morava com sua mãe, seu pai era muito ausente pois trabalhava no mar, e só vinha nos finais de semana.
Sua mãe era muito religiosa, todos os dias ela acendia uma vela e fazia uma oração.
Certo dia Sofia recebeu uma carta, dizendo para ela ir morar em outro lugar, pois algo ruim aconteceria. Sofia saiu correndo, mostrar para sua mãe. A mãe de Sofia se assustou, pois pensou que fosse uma ameaça, mas depois pensou que aquela carta não fazia sentido, pois quem ameaçaria a elas que nunca fizeram mal a ninguém?
Depois de dois dias, nada havia acontecido. No terceiro dia Sofia tinha ido para a escola, e sua mãe foi fazer uma oração. Depois da oração foi até o mercado, depois pegou Sofia na escola, e quando chegou em casa algo terrível tinha acontecido. A casa estava em chamas, depois de algumas horas descobriram a causa do incêndio: teria sido uma vela que queimou a cortina, e o fogo começou. Sofia e sua mãe foram morar com a dona Cecília, vó de Sofia.
Lá ela continuou seus estudos, mas ficou muito triste, tinha perdido todos os seus livros.
Depois de algum tempo Sofia fez 16 anos, e na festa apareceu um rapaz moreno, muito educado e bonito. Seu nome era Carlos, ele era apaixonado por literatura e queria ser escritor, ele tinha a mesma idade de Sofia. Ele convidou Sofia para dançar, ela aceitou.
Depois de algum tempo, eles começaram a namorar, ele começou a escrever seu primeiro livro. Sofia perguntava sobre o que era a história. Ele não respondia.
Alguns anos depois, resolveram se casar. A mãe de Sofia e seu pai deram a benção, eles fizeram uma festa muito bonita.
Alguns anos depois, Sofia com 23 anos estava grávida. Depois de quase 10 meses nasceu Eliza. Então Eliza começou a ficar com a mãe de Sofia, pois ela trabalhava de garçonete e Carlos de servente de pedreiro.
Depois de algum tempo, Carlos publicou seu primeiro livro, que conta a história de vida de sua família.

Jackson Belmonte Gomes, C13


Este texto é uma sequência criada para a história de Jostein Gaarder, "O Mundo de Sofia". É um tema de casa das turmas de C10 da Escola Dolores Alcaraz Caldas, de Porto Alegre.

domingo, 14 de novembro de 2010

Futebol dos filósofos

Bom, posto aqui um cláááássico dos meios futebolísticos.... se estes times tivessem participado do campeonato da escola, não tinha pra ningúem, hehe   :p




Robótica Dolores


Parabéns aos alunos do grupo de Robótica da Escola Dolores, que irão nos representar na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica, em São Paulo. Parabéns à professora Vera Sotério, que coordena, organiza e "puxa" o grupo...
A ida se dá a partir do resultado de sua participação no Torneio FLL Regional FEEVALE Smart Move, do qual tive a alegria de acompanhá-los.


(Na foto, prof. Vera sendo entrevistada em evento anterior)