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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A carne é fraca

O documentário "A carne é fraca" pode ser assistido em vários locais na Internet. O mais conhecido deles é o YouTube, onde está dividido em partes. O link da parte 3 é este:
http://www.youtube.com/watch?v=--w4Zr_iK_Q&feature=results_video&playnext=1&list=PL84CA7BAC8418D665

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O que é filosofia?

Refletir sobre o homem e sua condição no mundo seria uma primeira resposta. Pareceria, porém, objetivo demais, como se todo pensar alcançasse de fato o tatear dos mistérios que nos envolvem. O Filosofar é o que alcança este tatear, alcança o sutil emaranhado de problemas sob a superfície das coisas. No final, filosofar seria um alcançar do sentido para a existência, justificar nossa estadia nesse mundo, mesmo sabendo do pouco que podemos.

Por que sou aqui e assim? Por que, e isso é o mais importante, permaneço? Não sei, e por isso filosofia. 

*texto da época de faculdade numa aula de prática de ensino.

sábado, 3 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dolores protesta!

Texto para o desfile da "semana da pátria na Restinga", em 02 de setembro:


No dia 12 de agosto nosso aluno Juarez Fernando Oliveira Weber estava em uma lan house, na Restinga, às onze horas da manhã, e foi brutalmente assassinado. Ele não foi o único dos jovens da Restinga assassinados. São dezenas todos os anos.
Por isto estamos aqui nestre desfile vestidos de preto. O preto demonstra nosso luto pelo Juarez e por todos os jovens que morreram em meio à violência espalhada pelo bairro. Nosso luto é em respeito às famílias que choram seus filhos perdidos.
Nossos rostos estão pintados em forma de protesto.
Segurança já! Esta é nossa palavra de ordem!
Não estamos aqui para pedir. Estamos exigindo! É um absurdo que nossos jovens não possam caminhar livremente e em paz por nossas ruas.
A Restinga, um dos maiores bairros de Porto Alegre, só é bem tratada nas propagandas dos políticos. Na vida real a Restinga é carente de todos os serviços.
Basta caminhar pela Restinga para se observar o abandono. Mas o pior dos abandonos é a falta de segurança. O pior dos abandonos é não podermos caminhar em paz pelas ruas do bairro.
Uma pátria com medo não é uma boa pátria de se viver. Por isto estamos de preto. Por isto nossos rostos estão pintados. Por isto estamos desfilando em silêncio. Não há o que comemorar no dia de hoje.
Estamos aqui para protestar e exigir dos governos que façam seu trabalho. Não vai haver paz enquanto o Estado estiver ausente.
Não queremos a paz dos cemitérios!
Queremos a paz de caminhar sem medo, de estudar sem medo. A paz de andar livremente pela Restinga.
Estamos de preto e com os rostos pintados em protesto. Protesto contra os governos que esqueceram de nós. Nosso silêncio no Desfile da Semana da Pátria é um protesto. Não é esta a pátria que nós queremos!
Chega de violência! Segurança já!

domingo, 14 de agosto de 2011

Juarez


“Eu sei que determinada rua que eu já passei não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos, e que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que me despeço de uma pessoa pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez.
A morte surda caminha ao meu lado, e eu não sei em que esquina ela vai me beijar.” Raul Seixas



Todos nós sabemos da nossa finitude, que a morte um dia chegará até nós. Mesmo quem acredita em outras vidas ou coisas do tipo, sabe muito bem que esta vida é única.
Quando morre uma pessoa velhinha quase sempre nos conformamos. Ficamos tristes, sim, mas fica sempre aquela sensação de que o tempo fez o seu trabalho. Vamos no velório, choramos, mas os comentários são sempre aqueles do tipo “descansou”, “agora ficou em paz”. Se a pessoa fumava ou bebia muito, se tinha uma doença grave, nos confortamos com a ideia de que talvez a morte tenha sido a melhor solução. Não suportamos o sofrimento, por isso achamos que a pessoa ao morrer se libertou daquilo que a fazia sofrer.
Mas, e quando é um jovem que morre?
Não há consolo possível diante de uma criança ou um jovem morto. Se era doente, se sofria de uma enfermidade terrível...mesmo assim é quase impossível suportar a ideia de que a vida seja abreviada, que acabe tão cedo.
Um jovem que morre assassinado é um absurdo ainda maior. Não cabem justificativas. Nenhuma filosofia explica.

Nosso colega, amigo, aluno Juarez era um garoto de apenas 15 anos!
Acreditava em deus e cantava no coral da igreja. Estudava na C30 da escola Dolores e estava em seu primeiro emprego. O máximo que poderíamos dizer dele é que ficava indignado com as gracinhas e tolices que ouvia de alguns colegas (porque tinha dificuldades de dicção).
Estava em uma lan house, às 11 horas da manhã de uma sexta-feira, possivelmente jogando alguma coisa ou mexendo no msn. Foi morto com vários tiros, pelas costas. Talvez nem tenha tido tempo de ver seus algozes.
Foi ele. Poderia ter sido qualquer um de nós.

Um brigadiano parado numa esquina ali por perto teria impedido o que aconteceu. Mas não havia policial nenhum. Na Restinga não há praticamente policiamento, nem fiscalização de trânsito, nem muitas outras coisas.
Um dia antes estava na escola o prefeito de Porto Alegre. Imagino que neste dia houve polícia, jornalistas, guarda municipal, assessores, puxa-sacos e tudo mais.
Se o governo não garante minimamente a segurança de garotos de quinze anos às onze da manhã e em local público, para que serve um governo?

Não podemos ficar somente expondo nossa dor. Ela é sincera e precisa ser dita, mas isto não basta. Precisamos dar um sentido para além da perda e do sofrimento.
É preciso ir além, em nome do nosso amigo que morreu estupidamente. Em nome também de milhares de jovens de periferia que morrem assim no Brasil todos os anos.
Vamos cobrar dos governos, da polícia, da mídia. Fazer pressão, incomodá-los, exigir que façam aquilo para o qual são pagos. Para que estes absurdos parem de acontecer.

Se ficarmos calados, o Juarez será tratado como apenas mais um, um número a mais nas cifras da violência no Brasil.




[Foto: Juarez Fernando Oliveira Weber]

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Corra Lola, corra

Na C10 falamos sobre Édipo Rei, de Sófocles, a tragédia grega onde um homem é condenado pelos deuses a matar o pai e casar com a própria mãe. Era o destino então, do qual ele não podia fugir.
Agora na C20 assistimos ao filme "Corra Lola, corra" que funciona como um contraponto a Édipo.
Lola não tem destino algum traçado. E tem de correr contra o tempo para tentar conseguir salvar o namorado que se meteu em uma fria. O Tempo é o grande vilão da história. O Tempo e o acaso. Porque acontecem pequenos encontros, pequenos detalhes que mudam o final da história.
No You Tube há vários vídeos sobre o filme, clipes e tudo mais. Aí abaixo vai o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=ta1Sn6MtC9w&feature=related



Prof. Elenilton


"A vida é uma aventura da qual não sairemos vivos", Mário Quintana

sábado, 16 de julho de 2011

Do Dolores para a música, o mundo

A pessoa concentrada aí da foto, à direita, é a nossa querida amiga Hellen.
A Hellen terminou o Ensino Fundamental no Dolores, em 2010. Um ano antes fez um teste e foi aprovada para a Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul.
Para quem quer saber mais sobre a orquestra, aí vai um endereço que leva até ela:

http://sul21.com.br/jornal/2011/07/orquestra-jovem-do-rs-e-fonte-de-talentos-que-alia-rigor-e-inclusao/


Beijos pra Hellen!
E pra quem gosta de música, uma dica: não desista, insista!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aristóteles, virtude e mediania

Aí abaixo reproduzo trechinho de um livro do Aristóteles, filósofo grego antigo que estamos estudando nas aulas de C20. Lembrem do que comentamos nas aulas.
Ele defendia que a felicidade para o ser humano está em encontrar o meio termo, a "mediania". Evitar os excessos. Uma vida feliz seria aquela em que a gente consegue juntar as três formas de felicidade possível: os prazeres, a liberdade cidadã e o conhecimento da filosofia.
Nossas virtudes são aquilo que temos de melhor. Ele as encontra na metade do caminho, entre um excesso e outro.
Em relação à coragem, não ser medroso nem destemido. Na alimentação, evitar comer demais mas também não comer tão pouco que leve à doença. Com o dinheiro, não ser o extravagante que fica gastando o que não tem, mas também não ser o avarento que é louco por dinheiro ao ponto de viver apenas para acumulá-lo. E assim por diante.
A virtude está em achar o "caminho do meio". E isto não é nenhuma moleza.

Professor Elenilton.



"Virtude diz respeito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro...

Por outro lado, é possível errar de muitos modos (pois o mal pertence à classe do ilimitado e o bem à do limitado, como supuseram os pitagóricos), mas só há um modo de acertar.

Por isso, o primeiro é fácil e o segundo difícil – fácil errar a mira, difícil acertar o alvo. Pelas mesmas razões, o excesso e a falta são característicos do vício, e a mediania da virtude:

Pois os homens são bons de um modo só, e maus de muitos modos.

A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.

E é um meio termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude entrar e escolhe o meio termo.

E assim, no que toca à sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo, é, porém, um extremo."


Aristóteles

Em sua obra Ética a Nicômano

sábado, 28 de maio de 2011

Greve

Maria Luíza e a greve


Dizem que foi no Egito, por volta de 2100 a.C.. A primeira vez que os trabalhadores se organizaram e resolveram parar de trabalhar. Eles queriam receber mais comida pelo seu trabalho. Estavam construindo um templo, e a quantidade de pães que ganhavam era insuficiente para alimentar a eles e suas famílias. Teriam sido as mulheres que os convenceram a parar. Sempre elas.

O lugar onde as pessoas iam procurar trabalho, na França do século dezenove, era chamado de Place de Grève. Então o termo "greve" já na origem lembra pessoas reunidas nas praças.

Pessoas reunidas sempre são uma possibilidade. Possibilidade de quê? Ah, isso é o que precisamos inventar sempre.

No caso da greve que estamos fazendo há muito o que dizer.
Me tocou o minuto de silêncio da última assembléia, em homenagem ao líder negro que morreu e aos dois líderes assassinados esta semana no Pará (no mesmo dia da votação do novo e famigerado Código Florestal).
O silêncio daquele minuto foi mais impactante que os discursos inflamados.
E a frase de Marcelo Pires na parede da Câmara de Vereadores (onde fomos entrando): "Sempre que alguém lê um poema é domingo".

Mas a cena mais bela foi registrada pelo fotógrafo Jackson Zanin, para o Correio do Povo.
Mostra a professora de espanhol Maria Luíza e seus dois filhos, Gabriela e Guilherme. Ela pegou a lotação com eles e foi para a frente da prefeitura pressionar o prefeito.
Ela mais eu mais um monte de gente.
E quem não estava lá, perdeu de vê-los.


Elenilton Neukamp

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Amor (sexo)

Aulinha preparada a partir da caixa de perguntas... ficou meio incipiente, mas como começo gostei, acho que dá pra desenvolver.

1- Texto de apresentação:


Cupido e Venus - Lorenzo Lotto


Sobre a necessidade de um ótimo dicionário

Marco Aurélio Fabretti


Je t’aime, I Love you, amo você...  três línguas diferentes e querem dizer a mesma coisa. Mas afinal, o que é o amor? Dizem que o amor é cego, é fogo, é quente. Dizem que amar é entrega de si mesmo para outrem, e de outrem para si mesmo. Que o amor é se perder num desvario encontrado sob medida, em bocas e toques. Os mais poéticos dizem que amor não se define, que se continuamos neste movimento esdrúxulo delineando suas formas é porque de fato nunca amamos. Porque amar seria sentir, e nem todos os poetas do mundo poderiam alcançar aquilo que sentimos ao dizer que amamos – ou será que poderiam, e por isso seriam poetas? Assumir que certas coisas são indefiníveis é o passo mais curto para que de alguma forma se as defina, e aí Drummond com seu pequeno Amor e Seu Tempo. Mas deixemos de lado a natureza da poesia, ainda não sei se sabemos o que é o tal do amor.

domingo, 3 de abril de 2011

Estudante de filosofia tentando se definir* :p

* aproveitando as memórias do Elenilton, vai um textinho da época de faculdade. 

Cadê? Cadê a verdade, o verossímil, o animado? A mentira é parada, o estático finge a realidade. Finge de verdade. Porque limitamos as coisas não as possuímos, não seremos jamais as coisas. Sou o que admito não estar fora de minha consciência – mas quem deu o estatuto de norma à consciência? Se ser define Deus, me define também. Mas não sou somente, sou algo. A impossibilidade de falar o que sou não implica que eu somente seja, apesar de que qualquer coisa que seja dependa de, invariavelmente, da minha condição de ser. Em que me preenchem definições? Sou no mundo, e por isso sou enquanto relacionado com o mundo. Homem, defina-se; racional; defina-se. Mas que não se esqueça de que sou social, e daí uma Política, e daí uma linguagem, e daí um bem agir referente a mim, mas não fora do contexto do outro. Minha consciência de mim me define como estando em mim, e só tenho essa noção devido ao que está fora, onde não me reconheço. Mas como dependo das coisas para ser essa consciência egoísta! Como me livro do outro para me afirmar ser quando o sentido de ser está tão intrinsecamente ligado ao que está fora de mim!
Qualquer predicação ao meu ser supõe um outro, mesmo que imaginário, que complete minha incompletude de predicado. Qualquer predicação do meu ser me lembra que sou em relação a algo, e por isso dependente. E isso não se rompe no tempo: a relação é contínua. Tudo começa pelo próprio eu: algo que me limita na existência do mundo como ser separado desse mundo, e portanto dependente desse mundo para ter sentido. O livre seria ser somente: poder afirmar “SOU!”, e por mera possibilidade teórica, pois o somente ser não seria um ser que age – no caso afirma nada. Desse ser não teria-se notícia, pois nenhuma ação teria. Seria imóvel, enquanto completo. E nunca poderíamos ser plenos enquanto pensássemos, pois pensaríamos sobre algo e em relação deixaríamos de ser plenos, ser somente. 
            Mas não sou livre. Tenho o outro. E vocês também têm. Bobeira de Deus! Na nossa imperfeição somos perfeitos, na nossa incompletude nos completamos. O tempo eterno, se há, faz parte da minha existência... Será que a superação do indivíduo através da derrubada de alienações demora muito? O bobeira!!! De qualquer forma, temos uns aos outros. É nisso que prefiro acreditar. E vocês? Acreditam em quê? Só não me digam que acreditam demais em vocês.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Memórias de estudante


Eu era da turma 52. O ano era 1984. Andava um pouco solitário, triste. Meus pais recém haviam se separado. Um para cada lado, e eu para lado nenhum. Lembro-me bem que minha calça era de tergal, daquelas azuis feias de uniforme de colégio. Não era muito raro eu andar com ela suja e percebia que algumas colegas faziam comentários maldosos sobre isso. Teve um dia que caí num valo e não pude ir à aula porque ela estava molhada. Tive que ficar embaixo dos cobertores...

Como era bom quando faltava um professor! Fazíamos uma festa! Tinha uma professora que gritou comigo várias vezes, eu odiava a aula dela e por isso não entendia nada da matéria. Uma outra debochou de mim quando eu disse que havia faltado no dia anterior por causa da enchente. Ela devia morar no outro lado da cidade para não saber do que nós sofríamos com as enchentes... Arremangar as calças até os joelhos e pôr os pés na água gelada, no inverno, às sete da manhã para ir pra aula definitivamente não é para qualquer um. Minhas professoras, por muito menos, deixavam de ir para a escola.

Até a quarta série eu era considerado um aluno exemplar, com direito a ler em público nas datas em que o colégio dava um cachorro quente e um copo de “ki-suco”. Não entendia muito o que estava lendo, mas as professoras gostavam. Minhas notas eram altíssimas, porque no colégio eu fugia dos problemas de casa. Nesta época me fizeram odiar o hino. Éramos obrigados a cantar uma coisa que nem entendíamos o que significava. O pior foi quando a diretora me chacoalhou e gritou “canta!”. Obrigavam a gente a marchar da vila até o centro da cidade, como se fôssemos soldadinhos de chumbo. Eu odiava isso.

Na quinta série uma vez levei uma suspensão. Briguei no recreio. Um olho ficou umas três vezes maior que o outro. Assinei o “livro negro”. Depois daquela briga percebi como é estúpido bater em alguém, como é estúpido apanhar também. Que grande bobagem! Minhas notas caíram mais que a confiança do povo nos políticos. Um dia apareceu escrito numa prova: “Você regrediu muito”. Fui direto para o dicionário, não sabia o que era regredir. Já era a segunda vez. Outro dia a professora de Português tinha me dito isso e eu achei graça. Ela ficou brava porque pensou que era deboche, mas eu estava rindo daquela palavra esquisita.

Na sétima série minha turma era a 71. Estudávamos pela manhã. No primeiro e no segundo bimestre não entendi nada do que estava acontecendo. Tirei vários “zero” nas provas. Marquei um encontro com uma menina para o último dia antes das férias de inverno. O nome dela era... bom, creio que não há necessidade de dizer o nome dela, não é? Acontece que no dia choveu. Eu fui até a escola, mas fiquei numa área coberta do lado de fora do portão. Esperei a tarde inteira e ela não apareceu. Meses depois soube que ela também passou a tarde suspirando e me esperando, só que do lado de dentro do portão...

As férias e a preguiça me acostumaram a dormir demais e a ler “de menos”. As aulas recomeçaram e eu não aparecia no colégio. Umas duas semanas depois, foram na minha casa me procurar. Mas não eram daquele colégio e sim do que eu estudava antes (chamado Mário Sperb). A dona Líria, uma orientadora educacional que atendia no SOE, mandou me chamar. Nem quis minhas explicações, foi logo me matriculando numa turma do noturno. Eu tinha treze anos e estava começando a trabalhar, cuidava de um estacionamento de uma farmácia. No ano anterior tinha sido vendedor de picolés.

Os professores e professoras eram diferentes, conversavam com a gente sobre qualquer coisa. Fui muito bem recebido e me aceitaram como eu era. Meus colegas eram mais velhos do que eu, e com eles aprendi a ouvir as pessoas mais velhas que têm muito mais experiência de vida do que a gente... O que fico me perguntando é o que teria acontecido comigo se ninguém tivesse me procurado, me ajudado. Com certeza hoje não seria professor e nem teria o prazer de conhecer as pessoas que agora lêem essas palavras, e que são para mim uma grande família.

Mas que grande falador sou eu. Lembrei de tantas coisas, falei tanto, mas o que eu queria mesmo era dizer pra você: aproveite bem o tempo que você passa aqui. A escola é um lugar onde a nossa vida acontece, onde a gente aprende coisas importantes e conhece pessoas. Meus amigos que abandonaram a escola quando eram adolescentes, hoje se lamentam e se arrependem. Espero que você saiba aproveitar este momento único da vida. O mundo precisa de pessoas que lêem e pensam, porque do jeito que as coisas estão não dá mais.


Elenilton Neukamp

sexta-feira, 25 de março de 2011

O mundo de Sofia

Atendendo os pedidos dos alunos da C33 e C31, o livro "Mundo de Sofia" para ler on line:

Clique aqui para ler!

Mas o livro não é difícil de ser baixado também, é só darem uma procurada.

Abraços!

Atualização: revi agora os links, um livro com o conteúdo completo realmente é difícil de achar! este acima é com o conteúdo revisado, mas tem boa parte do texto. E Éder, tá funcionando normal meu velho, é só clicar e ler - ao menos aqui tá tranquilo. E um toque: nossa biblioteca está com dois exemplares para os alunos.  :p


quarta-feira, 16 de março de 2011

C 20 - Primeiras aulas

As primeiras aulas com as turmas de C20 voltaram a discutir
por que afinal estudamos Filosofia.
Além de tratarmos outras questões (como a tragédia natural e nuclear
no Japão), falamos sobre como serão as aulas em 2011.

Para quem não assistiu à aula ou quer ler mais sobre o que falamos,
aí vai o linck do livro "Convite à Filosofia", da professora Marilena Chauí.
O textinho colocado no quadro é um resumo das páginas 1 a 7.

É só copiar o linck aí embaixo e colar na caixa de endereços lá em cima:


http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/convite.pdf


Boa leitura!


Professor Elenilton